O Programa MAB

O Programa Homem e Biosfera – MAB (Man and the Biosphere) foi criado em 1971 pela UNESCO, fundamentado na experiência da Conferência sobre a Biosfera de 1968, que foi pioneira ao estabelecer as bases para as políticas ambientais e de conservação modernas. O programa surgiu apenas um ano antes da Conferência de Estocolmo (1972), marco que consolidou globalmente o conceito de desenvolvimento sustentável nas Nações Unidas.

Ao longo de mais de cinco décadas, o MAB evoluiu de um programa focado estritamente em ciências ambientais para uma visão inclusiva que entende o ser humano como parte integrante da natureza. Indo além dos modelos tradicionais de conservação, as Reservas da Biosfera priorizam a gestão colaborativa para melhorar a vida das comunidades locais enquanto protegem a biodiversidade

Atualmente, o Programa MAB atua como impulsionador de uma mudança transformadora que integra desenvolvimento sustentável, paz e direitos humanos. Com o lançamento do Plano de Ação Estratégico de Hangzhou (2026-2035), o programa estabelece uma rota de 10 anos para alcançar metas globais de clima e biodiversidade por meio de 34 Metas de Ação concretas. O foco central é promover sociedades justas e resilientes, fortalecendo a pesquisa e a inovação para que as Reservas da Biosfera liderem a transição rumo a um futuro em harmonia com a vida no planeta.

 

Infografico MAB spa (1)

Infográfico RB em Imagens

Reconhecidas pelo Programa MAB, as Reservas da Biosfera são áreas de biomas terrestres e marinhos  que funcionam como “laboratórios vivos” para a sustentabilidade. Elas constituem uma rede mundial que conta atualmente (2026) com 784 Reservas da Biosfera em 142 países, conectando mais de 300 milhões de pessoas.

Em cada país, a governança do Programa MAB se dá preferencialmente por meio de Comitês Nacionais e suas Redes de Reservas da Biosfera. Atualmente, essas áreas cobrem cerca de 5% da superfície terrestre, mas sustentam mais de 60% da riqueza mundial de espécies de vertebrados terrestres.

As Reservas da Biosfera promovem soluções que conciliam a conservação da biodiversidade com o seu uso sustentável, baseando-se tanto na ciência quanto nos conhecimentos tradicionais. Elas são designadas pela UNESCO a partir de solicitações nacionais, integrando os esforços do poder público e da sociedade civil para enfrentar desafios globais. Com o novo Plano de Hangzhou, a Rede Mundial avança no uso de ferramentas digitais e mapas interativos para garantir a integridade da informação e o monitoramento eficaz de seus territórios,

No Brasil, a instância nacional responsável pela coordenação do programa é a Comissão Brasileira para o Programa O Homem e a Biosfera (COBRAMAB), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A COBRAMAB atua na articulação entre as sete Reservas da Biosfera brasileiras, promovendo o alinhamento estratégico com os marcos globais da UNESCO e fortalecendo a cooperação em defesa da biodiversidade de nossos biomas. Para saber mais sobre a Comissão, acesse o site oficial do COBRAMAB/MMA.

Marco Regulatório

A Conferência Geral da UNESCO de 1995 aprovou a Estratégia de Sevilha para as Reservas da Biosfera e o Marco Estatutário da Rede Mundial de Reservas da Biosfera (link para a publicação). Este último funciona como a estrutura legal para o desenvolvimento e reconhecimento formal das Reservas da Biosfera, que podem ser propostas por todos os 195 Estados Membros e os nove Membros Associados da UNESCO.

As reservas da biosfera são indicadas pelos governos nacionais e permanecem sob a jurisdição soberana dos estados onde estão localizadas, com status reconhecido internacionalmente. As Reservas da Biosfera são designadas no âmbito do Programa MAB intergovernamental pelo Diretor-Geral da UNESCO, seguindo as decisões do Conselho Internacional de Coordenação do MAB (MAB ICC).

A cada dez anos as reservas da biosfera devem realizar uma Revisão Periódica, que permite analisar o funcionamento, o zoneamento, a escala da reserva da biosfera e o envolvimento das populações que vivem no local. 

A revisão periódica representa uma oportunidade para fazer um levantamento qualitativo das ações implementadas e de seus resultados. É o momento de fazer um balanço do progresso feito pela reserva da biosfera, especialmente no que diz respeito à atualização de conhecimentos, habilidades e competências em gestão de recursos e ecossistemas. 

Oferece também uma oportunidade para discutir a atualização do sistema de zoneamento e avaliar sua relevância, questionar os objetivos e meios das políticas de gestão, examinando as questões e os problemas vinculados à sua implementação.

De acordo com as diretrizes do Programa MAB as Reservas da Biosfera devem ter dimensões suficientes, zoneamento apropriado, políticas e planos de ação definidos, além de um sistema de gestão que seja participativo e desejavelmente paritário, envolvendo os vários segmentos e esferas de governo, da sociedade civil organizada, do setor científico, do setor empresarial e das comunidades locais.

Funções básicas:

As Reservas da Biosfera devem cumprir de forma integrada e participativa as três funções básicas que norteiam o Programa MAB UNESCO:

Conservação da Biodiversidade

1. Contribuir para conservação da biodiversidade, incluindo os ecossistemas, espécies e variedades, bem como as paisagens onde se inserem;

Desenvolvimento Econômico Sustentável 

2. Fomentar o desenvolvimento econômico sustentável do ponto de vista sociocultural e ecológico;

Conhecimento Científico e Tradicional

3. Criar condições logísticas para a efetivação de projetos demonstrativos, para a produção e difusão do conhecimento científico e tradicional, para a educação ambiental e o monitoramento nos campos da conservação e do desenvolvimento sustentável.

Zoneamento

Conforme conceito definido pelo Programa MaB UNESCO, todas as Reservas da Biosfera devem conter três tipos de zonas: zonas núcleo, zonas de amortecimento e conectividade e zonas de transição e cooperação, sendo:

• Zona Núcleo – ZN
O objetivo central das zonas núcleo é a conservação da biodiversidade e dos demais recursos naturais. São áreas legalmente protegidas e claramente delimitadas no território como unidades de conservação de proteção integral, reservas particulares do patrimônio natural, áreas de preservação permanente, entre outras áreas com alta restrição de uso.

• Zona de Amortecimento e Conectividade – ZAC
O objetivo das zonas de amortecimento é minimizar os impactos ambientais negativos sobre as zonas núcleo e promover a qualidade de vida das populações que habitam no entorno delas. As ZAC são estabelecidas no entorno das zonas núcleo ou entre elas, promovendo sua conectividade. Como exemplos estão as reservas legais, mosaicos de áreas protegidas, corredores ecológicos, unidades de conservação de uso sustentável e territórios indígenas e quilombolas, entre outras.

• Zona de Transição e Cooperação – ZTC
Envolvem todas as zonas de amortecimento e, por consequência, todas as zonas núcleo de uma reserva. São elas que definem o limite externo da Reserva e suas dimensões. Destinam-se prioritariamente ao monitoramento, à educação ambiental e à integração da reserva com seu entorno, onde predominam áreas urbanas, agrícolas e industriais de uso e ocupação intensos.

A Estratégia do Programa MAB 2026-2035

O Plano de Ação Estratégico de Hangzhou (2026-2035) representa a nova folha de rota de dez anos para o Programa MaB e sua Rede Mundial de Reservas da Biosfera (RMRB). Este plano situa as reservas de biosfera no centro de uma visão renovada de sustentabilidade global, abordando os desafios atuais e futuros através de 34 Metas de Ação claras e com prazos definidos.

A Visão e Missão do programa para esta década estão alinhadas com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Marco Mundial de Biodiversidade de Kunming-Montreal e o Acordo de Paris. O plano busca promover mudanças sistêmicas para conservar e fazer uso sustentável da biodiversidade, melhorar a resiliência dos ecossistemas e contribuir para um futuro climático positivo, mantendo os Povos Indígenas e as Comunidades Locais no centro de sua implementação.

A evolução para o Plano de Hangzhou baseia-se no sucesso de marcos anteriores, como a Estratégia de Sevilha (1995), a Estratégia do Programa MaB 2015-2025 e o Plano de Ação de Lima (2016-2025), incorporando agora o “Processo de Excelência” para garantir a funcionalidade, governança e gestão eficaz em toda a rede. Além disso, o plano prioriza a participação significativa da juventude como elemento essencial para a equidade intergeneracional e para a construção de sociedades saudáveis e prósperas que convivam em harmonia com a natureza.

Como parte desse compromisso com a ciência e a transparência, o Programa MaB continua a aprimorar as Diretrizes Técnicas para Reservas da Biosfera (TGBR), garantindo que as informações sejam acessíveis e interoperáveis para apoiar a integridade da informação climática em todos os níveis.

Fonte:

https://en.unesco.org/biosphere 

https://pt.unesco.org/news/no-50o-aniversario-do-programa-o-homem-e-biosfera-unesco-e-onu-pedem-uma-nova-relacao-com

https://en.unesco.org/news/unesco-steps-efforts-biodiversity-conservation-designation-20-new-biosphere-reserves

https://en.unesco.org/biosphere/designation

http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/HQ/SC/pdf/SC-16-CONF-228-11_Lima_Action_Plan_en.pdf

BRASIL. Comissão Brasileira para o Programa O Homem e a Biosfera (COBRAMAB). Brasília: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), 2026. Disponível em: site oficial.

UNESCO. Estratégia do Programa MAB (2015-2025) e Plano de Ação de Lima (2016-2025). Paris: UNESCO, 2016.

UNESCO. Mapa da Rede Mundial de Reservas da Biosfera 2025-2026: Dados e Cifras. Paris: UNESCO, 2026.

UNESCO. Marco Estatutário da Rede Mundial de Reservas da Biosfera. Sevilha: UNESCO, 1995.

UNESCO. Plano de Ação Estratégico de Hangzhou (2026-2035) para o Programa sobre o Homem e a Biosfera (MAB) da UNESCO e sua Rede Mundial de Reservas de Biosfera (RMRB). Paris: UNESCO, 2025.

UNESCO. Technical Guidelines for Biosphere Reserves (TGBR). Paris: UNESCO, 2022.